Primeiro passo para algumas mudanças
a partir de hoje, meus textos serão postados em blogcinemaqui.blogspot.com, para propiciar uma maior facilidade denavegação e leitura, lógico que por um tempo, ainda vou munir esse daqui, pra meia duzia de pessoas que ainda os visitam, mas por favor, já comecem essa transição comigo... abraços aos seis
Expondo Cicatrizes
O maior problema para cineastas como David Cronenberg não reside em suas bem sucedidas opções do presente, mas de um passado que os vai perseguir para sempre, mesmo sem uma razão aparente. O cineasta que assina “Senhores do Crime” hoje, pode não parecer, mas é o mesmo que criou “A Mosca” e “Scanners”, a diferença é que hoje ele descobriu que, as vezes, os monstros da ficção são bem menos interessantes que os da realidade.
Cronenberg continua perseguindo personagens carregados, soturnos e cheios de nuances, que, as vezes, tem que resolver seus problemas de modos mais violentos, e é aí que o estilo crú do diretor canadense dá as caras, expondo para a plateia verdadeiras feridas abertas, mesmo que carregadas de secreções nojentas.
Pode parecer que não, mas o cientista se transformando em mosca pode ser menos chocante que a alma obscura do homem, nesse caso da mafia russa em Londres, a Vory V Zakone.
Aparentemente, o roteiro de Steven Knight, que repete mais um ótimo trabalho como fez em “Coisas Belas e Sujas”, é a respeito de uma parteira, Anna (Naomi Watts), que resolve traduzir o diário de uma jovem que morreu no parto, isso faz com que ela acabe dando de frente com a tal máfica russa em sí, mais precisamente com um chefão da cidade, Semyon (Armin Mueller-Stahl), que precisa resguaradar o filho sem rumo, Kiril (Vicent Cassel), que parece ter algo a ver com o diário.
Mas na verdade o filme mergulha, sem frescura nenhuma, no mundo desses criminosos, não pela ótica de Anna, descendente russa também, mas sim do motorista e guarda-costas do tal filho problema, Nikolai (Viggo Mortensen), que, aos poucos vai galgando um posto mais acima na hierarquia. É ele que acaba servindo de ponte entre esses dois mundos, o das “pessoas normais” e o desses crimonosos que usam tatuagens como cartão de visita, que contam por meio dessas imagens na pele quem são e o que fizeram na organização.
E, do mesmo jeito que o diário conta a vida pregressa da jovem morta, esses criminosos usam seus corpos para contarem suas vidas, muito mais que um curiculo, algo mais como cicatrizes de uma guerra, que precisam ser lembradas. Mesmo com o diário sendo um pano de fundo para jogar no ar toda questão de família, da organização e o como eles se protegem entre sí, serve, assim como as tatuagens, para mostrar as verdades dos personagens.
E é exatamente Nikolai, o único personagem que se despe diante dos olhos do espectador, tanto no sentido literal quando figurado. Ao fim do filme, ele é o único que, quem está vendo o filme, sabe de onde veio e quem realmente é, sem contar o sentido literal, na sequencia da luta na sauna, crua, sangrenta e dolorosa.
Mortensen não só faz essa sequencia funcinar perfeitamente, como todo resto do filme, onde ele mostra que não foi indicado ao Oscar de graça. Parecendo estar em um ritmo totalmente diferente do resto do mundo, o Nikolai criado por ele é quase uma lápide, duro, quadrado e com cara de morte, uma ótima atuação que com certeza desponta do resto do elenco, até certo ponto correto, mas nunca mais que mediano.
Para muitos, “Senhores do Crime” parecerá um pouco lento e viceral, chocante até, em certos momentos, mas pelo menos não tenta esconder uma realidade violenta, e mostra sem dó tudo que pode, do jeito de David Cronenberg gosta, em close e cheio de sangue.
Senhores do Crime (Eastern Promises), 2007, 100min, Eua, Can, Ing
Direção: David Cronenberg/ Roteiro Steven Knight
Elenco: Viggo Mortenses, Vincent Cassel, Armin Mueller-Stahl, Naomi Watts
Uma Ópera Cor de Sangue
Tim Burton é com certeza um cineasta icônico de sua geração, seu estilo inconfundível, meio gótico, quase barroco com suas pontas aspiraladas, seus personagens esquisitos, descabelados e complexos, seus contos de fadas obscuros e aquela estética de sonho, na maioria dos casos de pesadelos na verdade. E “Sweeney Todd- O Barbeiro Demoniáco da Rua Fleet” não escapa nada disso tudo.
Desde o fantasma “Beetlejuice” , Burton vem fazendo uma coleção de personagens únicos, e o barbeiro da Rua Fleet cai como uma luva nesse quesito. Procurando vingança de um juíz que o condenou inocentemente e roubou sua família, o barbeiro Benjamin Barkey volta a Londres sobre a alcunha de Sweeney Todd, fazendo as barbas “mais rentes” que seus clientes já viram.
A primeira vista “Sweeney Todd” é a chance de Burton fazer aquilo que parece vir tentando fazer a um tempo, seu musical. Por mais que já tivesse se aventurado com animações em Stop-Motion, “A Noiva Cadáver” e “O Estranho Mundo de Jack”, que são musicais, e “ A Fantástica Fábrica de Chocolates” que tem também suas canções, seu novo filme extrapola esses exemplos.
Da primeira a última cena, o filme é inteiro cantado (salvo uma meia dúzia de diálogos), mais com cara de ópera, exagerado, dramático e fadado ao fim desatroso. Mas a grande vantagem de Burton é que ele sabe contar uma história por meio de imagens, com isso imprimindo uma linha narrativa tão visual que, sem qualquer tipo de conversa (ou cantoria) o filme funciona do mesmo jeito. É como uma trilha sonora cantada pelos personagens, e não uma história contada por suas músicas, coisa que ajuda a fisgar quem não gosta muito do gênero.
E na verdade, Burton parece fazer esse filme pensando em quem não gosta de pessoas cantando na tela do cinema, tamanha a quantidade de possibilidades a para serem apreciadas.
Na sua sexta parceria com o diretor, Johnny Depp é uma delas, dando ao barbeiro mais uma atuação única, diferente de tudo e de todos, sumido dentro do personagem, mas ao mesmo tempo extremamente natural, sempre levando consigo um aspecto fantasmagórico, desde a voz levemente mais engrossada até os movimentos repletos de objetivos, como se tivesse vindo ao mundo somente com uma função, a da vingança.
E grande parte da beleza do filme vem disso mesmo, de você sentir o que o personagem central sente, isso graças a extraordinária direção de arte do italiano Dante Ferreti, em outras épocas parceiro de Fellini e um especialista em criar mundos, como em “As Aventuras do Barão de Munchausen” e o mais recente “Dhalia Negra”, entre outros.
A cada mudança de ânimo de Sweeney, tudo vai junto, as cores das roupas, assim como os cenários que ganham o amarelo e o vermelho, ausentes na maioria da história, quanto mais perto da tão sonhada vingança, a não ser pelo sangue que colore tudo que vê pela frente, e parece mais ainda quebrar a brancura de seus personagens frios, quase enemicos, como que sem o líquido quente em suas veias.
Do mesmo jeito que o azul brilhoso da roupa do barbeiro rival de Todd, Pirelli, vivido por Sacha Baron Cohen (“Borat”) que é como um contraste dentro de seu lúgubre mundo, e que precisa ser eliminado.
“Sweeney Todd” se apresenta com um visual tão impecável e rebuscado que é fácil se perder olhando para as imagens extraordinárias, sempre meio barrocas, com cores que pulam na tela, mesmo o mais escuro cinza, e não perceber o filme passando.
Sweeney Todd- O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd- The Demon Barber of Fleet Street) Eua, ing, 116min
Direção: Tim Burton/ Roteiro: John Logan, Stephen Sondhein e Hugh Wheeler
Elenco: Johnny Depp, Helene Bohan-Carter, Alan Rickman, Sacha Baron Cohen
Impressões Sobre Um Oscar
É oficial, o octogésimo Oscar da história da humanidade foi a algria de qualquer apostador, seja profissional ou algum bolão de fim de semana. Até onde não se acreditava que a justiça fosse feita, alí aparecia a voz do óbvio.
Se todos apostavam na vitória dos irmãos Coen, acertaram na mosca, “Onde os Fracos Não Tem Vez” saiu com o careca dourado de melhor filme, companhado de mais três. O mais que apostável Javier Barden levou sua estatueta para espanha como ator coadjuvante, e a dupla de cineastas ainda levaram mais um par de Oscars por seu roteiro adaptado.
Na direção, ainda sairam com o prêmio, mesmo que, nesse caso, disputando seu pário mais duro, com o sensacional Paul Thomas Anderson e seu “Sangue Negro”. Não que aqui resida uma injustiça, mas, mesmo com os irmãos Coen fazendo um trabalho narrativo sensacional, contando uma história de um jeito único, Anderson, é o maior cineasta de sua geração, e já foi injustiçado mais de uma vez, duas na verdade.
Em 1997 não ganharia de James Camerom e seus duzentos Oscars por “Titanic”, e dois anos depois de Sam Mendes em seu “Beleza Americana”, mas seu nome não estar nem entre os cinco pelos sensacionias “Boggie Nights” e “Magnólia”, respectivamente, mostra que agora, finalmente “Sangue Negro” merecia a estatueta de diretor mais que “Os Fracos...”.
Mas talvez, premiar Anderon quebraria o Status Quo da noite, por isso seu filme teve que se contentar com o merecido e certo Oscar para Daniel Day Lewis e ainda um de melhor fotografia para Robert Elswit, outro que também já merecia um Oscar, senão pelos seus trabalhos com o próprio Anderson, que se fariam justificados, pelo menos pelo seu trabalho sensacional em “Boa Noite e Boa Sorte”.
A sensação no ano, “Juno”, como era de se esperar, não conseguiria encarar os grandões quando desse de frente, e foi isso que aconteceu. Reitman, é muito novinho e inexperiente para levar a estatueta por sua comédia adolescente, com isso a certeza número um do filme residia na ex-stripper (não adiante, sua antiga profissão vai virar prenome) Diablo Cody, que para continuar no clima de certezas da noite angariou o prêmio, mercecido, isso é verdade. A bonitinha Ellen Page, simpática e carismática, do auge de seus 21 anos, como era de se esperar, não levou.
Agora, se você apostou na francesa Marion Cuttilard que se transformou na própria Edit Piaf para encarnar a cantora em sua cinebiografia, acertou também. E essa era mais uma máxima da academia, “suma atras de seu personagem que nós te damos um Oscar”. Cuttilar não tem nada a ver com a cantora, e a base de muita maquiagem e um trabalho corporal impressionante, fez o que queriam e foi recompensada.
“Piaf” ainda levou o prêmio de melhor maquiagem, ou alguém estava esperando que a estueta fosse para “Norbit”? Mesmo com o veterano Ricky Baker, nunca que a Academia imortalizaria essa tentativa erronea de cinema com a frase “Ganhador do Oscar” em sua capinha do DVD.
Mas quem com certeza vai poder estampar a frase em seu DVD é o subestimado (ou injustiçado, como você preferir) “Ultimato Bourne”. A verdade é que, mesmo, tendo ganho em três categorias, duas muito ligadas e deverás tecnicas, edição de efeitos sonoros e mixagem de som, é pouco para uma série que vem obrigando os outros filme de ação a repensarem o que querem. O terceiro prêmio, de montagem, é muito mais que merecido, mas fica aquela impressão de que o filme poderia ter sido lembrado um pouco mais.
Quem vem se habituado a ter sua cara estapando um dos quadradinhos, momentos antes do “and the Oscar goes to” é o galã George Clooney. Além de a dois anos atrás ter ganho o Oscar de coadjuvante por “Syriana”, no mesmo ano ainda emplacou duas indicações por seu “Boa Noite e Boa Sorte”, nesse domingo, não ganhou, mas além de ter “Conduta de Risco”, que ele próprio produziu, concorrendo ao Oscar, nas principais categorias, com ele mesmo na de ator principal, ainda viu sobrar, talvez para única surpresa da noite, o prêmio de atriz coadjuvante, para Tilda Swinton, que até fez por merecer, mas deve ter quebrado várias bancas de apostas.
No resto da noite, o que sobrou ao público foi mais do mesmo, os números de canções indicadas separadas por blocos, sempre chatas e poucos inspiradas, as piadas que quase nunca podem extrapolar certos limites, para não ofender ninguém, a Pixar ganhando o Oscar de melhor animação, o in memorium provocando aquela expressão de “nossa!!! Esse cara morreu”.E para quem gosta nunca se pode esquecer do o fútil desfile de moda das superestrelas de Hollywood, no mais, só a, já quase costumeiro, ausencia do Brasil e o começo das apostas para o próximo ano. Alguém falou em “Tropa de Elite”?
Olhando Para Dentro de Sí
Se no Oscar passado”Pequena Miss Sunshine” não tivesse levado para casa duas estatuetas, e nem tivesse sido um sucesso de bilheteria, mesmo assim, “Juno” esse ano emplacaria suas quatro indicações.
O que as pessoas ainda não perceberam é que ambos não mostram o poder dos filmes independentes, e sim, que as vezes o cinema tem que dar uma freada e olhar para sí próprio, lembrar daquela máxima de contar uma história por meio de imagens, em que os atores não são instrumentos e sim matéria prima.
O cinema tem andando a passos tão largos, que e acabou se afastando dele mesmo e do próprio público. Tudo bem, uma trupe de robôs falantes invadindo a Terra, impressiona, mas talvez isso escape de um dos principais sentidos do cinema, colocar o espectador dentro daquilo, aproximar a história, os personagens e todo resto de quem está sentado no escuro.
Mas isso acaba como com a ficção, com o terror e com os outros gêneros fanstásticos! Resumidamente, não, e “Cloverfield”, “Possuídos” e “O Hospedeiro” estão aí para provar isso, sendo ainda que o primeiro e o último são produções gigantes que gastaram caminhões de dinheiro, mas para contar a história de personagens que se desenvolvem, tem vida, mas que em suas realidades enfrentam “problemas”.
Seja um monstro de 20 andares ou uma gavidez surpresa de uma adolescente, o que importa é como história está sendo contada, e, finalmente voltando ao “Juno”, é isso que Jason Reitman percebe, e cria um filme delicioso, que, sem perder a seriedade, vai do riso ao choro em segundos e dá a plateia um verdadeiro presente.
A começar pelo roteiro inspirado da ex-stripper Diablo Cody à atuação sensível e extremamente habilidosa de Ellen Page, o que Reitman faz, é usar tudo isso que tem a mão simplesmente para contar uma história. Solto, parecendo não se preocupar em mostrar que existe uma câmera alí, com isso dá espaço para os atores explorarem o ótimo roteiro.
Quando se percebe que se está vendo apenas dois personagens conversando, sem um movimento de câmera nem uma composição mais elaborada, a impressão que se tem é que Reitman deixa todo orgulho para fora de suas tomadas, fazendo o que é melhor para o filme e não para seu nome.
Mas é claro que um cena não seria possível sem os outros dois pilares que sustentam esse filme. Diablo Cody, para começar, acerta não só por criar diálogos cheio de referencias, e personagens que se sustentam quase que sozinhos, mas por criar uma história sensível, sem muita invenção, sobre um assunto comum, mas que é pouco mostrado. A adolescente que se descobre grávida e não sabe o que fazer, dá lugar a adolescente que se descobre grávida, mas que depois de desistir de um aborto, resolve dar o filho para adoção.
A roteirista cria uma história que vai de aborto à adoção e procura de pais adotivos em classificados em duas cenas, e isso é o filme inteiro, não uma histeria moderninha, e sim uma história ágil, que tem muita coisa para contar, e não quer perder tempo com mais nada.
O outro pilar fica a cargo da competente Ellen Page, que já tinha feito um trabalho impressionante em “Menina Má Ponto Com”, que não deixa a personagem Juno se perder em qualquer tipo de caricatura.
Além de ser de uma simptia única, a atriz, consegue fazer quem está desse lado da tela perceber, que, por trás daquela carapaça amalucada e faladora está uma adolescente assustada, que,ao mesmo tempo que se refere ao bebê como “thing” (coisa em inglês), as vezes tem que parar o carro para ver qual vai ser seu próximo passo. Page cria uma Juno, totalmente tridimencional, cheia de nuances e que conquista qualquer um.
“Juno” não chega no Oscar no rastro que “Encontros e Desencontros” vem criando desde anos atrás, mas sim por ser uma bela história sobre uma garota que precisa “lidar com coisas bem além de sua maturidade”, como a própria peronagem fala, que conquistou o público, se tornando provavelmente o melhor custo benefício do ano, e que conta com esses três pontos, que juntos criam um cinema que as vezes a gente sente falta entre os robôs gigantes, os super-heróis e suas continuações
Juno (Juno), 2007, EUA, Can/Hung/EUA, 96min
Direção: Jason Reitman/ Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Gardner, Jason Bateman
Justiça a Qualquer Preço- Tem cara de produção alternativa centrada na psicologia da história, mas se mostra um thriller de segunda categoria, sobre um assunto que deixa a impressão de que poderia sem bem melhor explorado (violencia sexual). Perde o rumo ainda mais quando se transforma em uma correria desenfreada lá para o final.
Baixio das Bestas- Tentando se apoiar na força das imagens e das situações esquece de imprimir uma linha narrativa, deixando a história demais por perdida, as vezes sem sentido nem ligação, fazendo falta um eixo central para ligar tudo. Muito bem dirigido e fotografado, vistoso, até um pouco exagerado na hora de tentar chocar, mas sem conteúdo nenhum.
A Família do Futuro- Animação bem feitinha, dirigida única e exclusivamente para o público infantil. Para eles uma história que prende, com personagens vistosos, coloridos e amalucados. Talvez não tenha feito o sucesso merecido por essas mesmas razões, já que o público de hoje esqueceu das animações mais infantis e acaba cobrando sempre algo mais maduro, quando as vezes os pequenos também merecem sua fatia do bolo.
Morrer ou Viver- Uma das piores coisas que eu já vi na vida. Parece uma reunião de todos cliches de filmes policiais, só que levadas a sério. O bandidão, sempre de preto, com um irmão honesto, que acaba morrendo para lhe salvar, e uma amante dentro da gangue, que lógicamente morre, o resto do grupo formado por um cara truculento que gosta de explodir as coisas, um que se vesta colorido e outro traidor, se econtrando na cena final com o policial honesto que procura pistas sobre os crimes no submundo, que perde o parceiro (com direito a demonstração anterior de amor ao filhinho e tudo) e é pressionado pela cúpula da policia, sem esquecer de seu problema familiar, com a filha precisando de uma operação urgente e ele dormindo no sofa. E quase que me esqueço, essa mesma família morre pegando o carro emprestado do pai que explode quando “surpreendentemente” ela vira a chava no contato. Se tudo isso estivesse em uma comédia seria sensacional, mas não é o caso.
Vidas em Fulga- Vale para se ver como os dias de hoje não conseguem mais encarar um filme que se sustenta de um drama simples mas marcante. Além da direção marcante de Sidney Lumet que parece sempre encompridar a cena para obter uma narrativa mais forte, e com essas cenas contando com Marlon Brando no comando de tudo. É incrível mesmo ver essa lenda atuar, como ele toma conta da imagem e some por trás dos personagens.
Limite de Segurança- Mais um Sidney Lumet (coisa que vai se repetir essa semana), desta vez mostrando como as fazer um filme tenso. Uma aula de cinema anti-guerra que faz ser impossível acabar de vê-lo sem pensar no assunto. Não é a toa que o diretor é uma lenda, aqui mostra, realmente, todo seu controle sobre a cena, tudo se apresenta tendo uma razão de estar alí. Atenção maior em como ele extende o tempo diante de nossos olhos, como ele arrasta o drama da situação e cria um suspense para acabar com as unhas da mão.
Como Destruir Manhatan em 85 Minutos
Antes de qualquer coisa um esclarecimento, “Cloverfield” não é um exercício sobre a paranóia norte-americana depois do 11 de Setembro, e muito menos uma crítica a uma sociedade que não sabe mais viver longe da tecnologia, filmando e fotografando tudo. Indo ainda mais longe, “Cloverfield” não é uma alegoria sobre o crescimento do oriente prevendo o esmagamento yankee.
“Cloverfield”, na verdade, é simplesmente um filme sobre um monstro de 20 andares que invade Manhatan e resolve acabar com tudo que vê pela frente, ponto final, fácil assim. Nada de leituras inspiradas e filosóficas, apenas uma idéia conhecida por todo mundo, repaginada e mostrada de um modo diferente, precedida por uma campanha de marketing inspirada que fez dele o filme mais esperado do ano.
A grande sacada, e que faz o filme ser imperdível, é mostrar toda ação do ponto de vista de Hud, incumbido de filmar a festa de despedida para o Japão, de seu malhor amigo Rob. Munido de uma camera amadora, para filmar depoimentos de despedida, acaba usando-a para documentar o caos na qual a cidade se transforma.
O produtor J. J. Abrams (“M:I 3” e o seriádo “Lost”), junto do diretor estreante Matt Reeves, com isso matam dois coelhos com uma cajadada só. Primeiro, cada depoimento é um pouquinho de apresentação dos personagens, de quem é quem dentro da trama, aproveitando isso para contar todo um contexto anterior ao começo da filmagem da festa. E isso é genial, já que transporta o espectador para dentro de uma gravação amadora de festinha, com tanta informação que faz vocês esquecer o filme que entrou no cinema para ver.
A segunda cajadada é dada quando o monstro entra em cena, quebrando totalmente um ritmo que se arrastava diante da tela. Depois do tremor e da luz da festa apagando, começa a correria que tomara o filme até seu final. Nesse ponto, a impressão que se dá é que a tensão e o suspense do longa só se sustentam sozinhos com a câmera histérica na mão de Hud, que nunca gravara um segundo e acaba sempre sem enquadrar nada direito.
O diretor faz questão não de esconder o tal monstro, mas sim de dar a impressão, verdadeira, de que, naquela situação ninguém ficaria calmo o suficiente para encaixar perfeitamente uma criatura de 40 metros no foco da câmera. Durante todo filme, quem está atrás da câmera é você, e , como todo mundo, vai só conseguindo enxergar imagens tremidas, passagens, vultos e sombras, que em sua mente formam o monstro. Ele não se esconde, na verdade anda livremente pela cidade, é você que não faria muita questão de ficar olhando para ele ao mesmo tempo que se vê tentando sobreviver nesse caos.
Diferente do primo japonês, que a 10 anos também atacou Nova Yorke na besteira dirigida por Rolland Emerich, “Cloverfield” não é um filme sobre um monstro que ataca uma cidade e sim sobre um grupo de amigos que tem que sobreviver a esse investida, sem ninguém entrar na nostalogia querendo virar o Rambo, apenas fugindo da destruição. Mais longe ainda do nipônico, o monstro de Abrams nem nome tem, que, a título de curiosidade, Cloverfield era o nome do lugar em Santa Monica que a produção do filme instalou um escritório e usou como codinome para despistar curiosos, coisa comum em grande produções.
Mas nem por isso, o Monstro fica em segundo plano, e muito menos na sombra de alguma coisa, sempre que aparece é claramente, mostrando um ótimo trabalho nos efeitos especiais, não só na criatura como em sua destruição, com um tom de visceral e descontrolada, dando total realidade a coisa toda.
E essa realidade não pode ser comparada em nada, como muita gente vem tentando, a de “Bruxa de Blair”. “Cloverfield” é um blockbuster em seu melhor sentido da palavra, feito para encher as salas de cinema e virar cult para o resto da vida, não é um produção que se sustenta nas “fitas achadas em algum lugar” para criar suspense e tensão, como a “Bruxa” copiou de Ruggero Deodato e seu “Cannibal Holocaust” de 1980, fingindo uma história verdadeira por trás de tudo (Deodato não queria isso, mas acabou ajudando na fama do filme), Abrams e Reeves não querem que ninguém acredite que manhatan foi destruída de verdade, mas sim querem que que você aproveite na tela o melhor jeito que o cinema já destruiu a famosa ilha de Nova Yorke
*No Brasil, “Cloverfield” ganhou o sub-título de “Monstro”, pratica comum por aqui, mas que dessa vez me trouxe revolta, por isso me recusei a escrever o nome do filme como “Cloverfield- Monstro”.
A Verdade de Cada Um
Se Godard disse que o cinema “são vinte e quatro fotogramas de verdade por segundo”, Joe Wright, em seu “Desejo e Reparação”, segue isso a risca e cria um épico sobre como uma mentira pode acabar com uma realidade, quando se torna uma verdade.
E talvez aí já esteja a maior beleza do filme, ver como o diretor consegue captar essa idéia e fazê-la se transformar em belíssimas imagens diante dos olhos do espectador. A cada plano, a impressão que se tem é de pinturas em movimento, realistas e maravilhosamente compostas.
Desde o soldado vivido por James McAvoy atravessando a luz de uma projeção em um cinema perdido no meio dos horrores da guerra, enxergando gigantescamente a sua frente o beijo que ele, a cada momento, se afasta mais de receber de seu amor, e que, nesses último momentos de sânidade, é a única coisa que o ancora nesse mundo, às diversas vezes que a enfermeira vivida por Kiera Knightley é apresentada na tela através de seu reflexo, distante de seu amor, como se não pudesse ser encarada, sendo a verdade diante dos pecados de sua irmã que acabou com uma possível felicidade do casal.
E é essa irmã menor, Brioney, na infância vivida, maravilhosamente, por Saoirse Ronan e, anos depois por Harriet Walter, que é o ponto principal dessa tragédia anunciada, quando, através das janelas cria sua própria verdade, onde o filho da camareira de sua família se torna um estuprador, quando ela vê seu amor de infância (o mesmo) virar o amor de sua irmã.
Ele, vai para frente francesa na guerra, que o separa de seu amor retomado anos depois, enquanto a já joven Brioney tem que viver assombrada pelos fantasmas de seu passado, sendo punida, dia após dia por um erro na qual não consegue se reparar.
Para o diretor, o que lhe resta é fazer uma história extremamente triste não virar um dramalhão, e para isso apela (no bom sentido) para criar um épico, que vai desde a infancia até os último dias da personagem. Mas, é graças a uma narrativa inspirada, e uma montagem que segue essa idéia perfeitamente, que até o último momento de filme você ainda está sendo surpreendido, levando às últimas possibilidades o tema, sem ficar amontoando visões de um mesmo assunto, mas sim uma verdade que as vezes não parece ser o que é.
E quando quer mostrar esse real ele vai até o fundo, como o impressionante plano sequencia que começa na beirada de uma lotada praia que recebe os exercitos aliados e vai até a porta de um bar apinhado de já embreados soldados. Joe Wright junto com Seamus McCarvey, na fotografia, mostram que as vezes o melhor caminho entre dois ponto não uma linha reta.
Um linha reta não mostraria, em quatro minuto e pouco, da chegada empolgada ao fim sem esperança, onde uns brigam entre si e outros cantam em um coreto destruido acima de sobreviventes de um país arrasado na sombra de um navio encalhado no meio da areia.
Se aparentemente “Desejo e Reparação” é um dramalhão para mulher, sem precisar ir muito fundo o que se descobre é um futuro clássico para quem aprecia a melhor do cinema
Desejo e Reparação (The Atonement) 2007, Ing/Fra, 130min
Direção: Joe Wright/ Roteiro: Joe Wright
Elenco: Kiera Knightley, James McAvoy, Saoirse Ronan e Harriet Walter
Se a corrida pelo Oscar nos cinemas nacionais começou pelas beiradas, com o lançamento sem alarde do ótimo “Conduta de Risco”, agora é a hora das grandes pedidas. Na cabeça das indicações vem “Onde os Fracos Não Tem Vez”, franco favorito com suas oito indicações.
E esse número não vem sem razão, os irmãos Ethan e Joel Coen assinam um filme que não está sendo indicado por muitos como a grande obra-prima dos cineastas à toa, “Onde os Fracos Não Tem Vez” prende qualquer um na cadeira do cinema, provoca o espectador a encarar um filme difícil de engolir e ainda cria um burburinho delicioso no ascender das luzes.
Talvez essa “indigestão” venha da crueza com que os diretores fazem questão de apresentar esse faroeste moderno, nada de trilha sonora, nada personagens fáceis, e uma trama difícil com um vasto deserto como pano de fundo.
E mesmo quando a areia não está presente, a impressão que se tem é que todo o resto parou para a história passar, para ver o veterano do Vietnã Llewelyn Moss (Josh Brolin) dar de cara com uma negociação de droga mal-sucedida e uma mala de dinheiro jogada em seu colo, que pode mudar sua vida por completo, e a sombra que toma a visão de Moss enquanto ele mira um cervo, momentos antes de achar o dinheiro, é um prenúncio da escuridão que tomará sua vida, e essa sombra tem nome: Anton Chigurh.
Mesmo o espectador só descobrindo seu nome lá para o meio do filme, o assassino psicótico vivido pelo espanhol Javier Barden é a grande estrela da história, e por isso mesmo, antes de qualquer coisa, você fica a vontade com essa figura no mínimo excêntrica, seu cabelo ao melhor estilo Beatles e sua “arma” de ar-comprimido, que, em quatro aparições na tela, simplesmente leva para o buraco quatro indivíduos, deixando até o Rambo com inveja.
Esse maluco é contratado para recuperar a mala (seus contratantes estão em uma das quatros cenas, obviamente), criando uma caçada violenta e que acaba, por conseqüência, colocando no meio disso tudo o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones), último exemplar de uma época em que sua profissão não carregava nem arma, e que não precisava lidar com massacres ligados a uma transação de drogas que deu errada.
Essas três pontas desse triângulo nem se cruzam na tela, apenas Moss e Chigurnh se esbarram em um tiroteio, mas quase não se vêem, e isso é umas das belezas da adaptação do livro de Cormac McCarthy, uma trama que se sustenta por ela em si, e que na mão dos irmãos Coen, ganha quase um tom de clássico.
Os diretores resolvem dissertar a respeito do silêncio e do vazio, seus personagens sempre entram pequenos em imensidões, seja de areia ou de corredores, todos são claramente menores e estão sozinhos em suas tramas, tentando sobreviver a cada segundo.
Nesse vazio, sem trilha sonora, onde você escuta o menor dos barulhos, e até o telefone tocando em uma recepção sem vida andares abaixo no hotel, a única vida que pulsa não é a do texano fugindo com sua mala de dinheiro, que se descobre em um beco sem saída e muito menos do xerife cansado, mas sim a do assassino metódico, com seus olhos úmidos e que parece ser o único sabendo o que tem que fazer para sair desse vórtice de insanidade.
Mas talvez, o maior prazer de se ver “Onde os Fracos Não Tem Vez” seja a angústia que os irmãos diretores (ainda roteiristas e editores) provocam na platéia, subjugam fórmulas quando privam, de uma platéia sedenta por um desfecho, tanto um tiroteio esperado, criando um suspense sem igual, como o próprio final em si, dando pano pra boas conversas depois da volta das luzes à sala.
Em outros anos, a tal estátua careca já teria donos, mas é bom lembrar que a famosa academia vem surpreendendo sempre que possível, e, juntando a isso um ano com um nível de produções altíssimo, vide o próprio “Conduta de Risco” e o drama “Desejo e Reparação”, que vem trazendo o Globo de Ouro, além do independente “Juno” (tipo de filme que vem se tornando obrigatório todo ano) e do celebrado “Sangue Negro”, único ainda inédito no Brasil e candidato à pedra em seu caminho, o filme dos irmãos Coen, sem medo de ser pedante, é um daqueles de que quem não gostou é por que não entendeu.
Onde os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Man) 2006, EUA, 122min
Direção/Roteiro: Joel e Ethan Coen
Elenco: Josh Brolin, Javier Barden, Tommy Lee Jones
-Antes Só do Que Mal Casado- Essa nova comédia dos irmão Farrelly prova duas coisas: 1) a genialidade e o humor negro que lhes renderam a fama em “Quem Vai Ficar Com Mary” e “Debi & Loide” não está mais nem perto em seus novos filmes, e 2)Ben Stiller precisa se reciclar rapidamente antes que sua imagem comece a se desgastar (se isso já não aconteceu!). Você até se diverte com o início do filme, e até mais além, um pouco, enquanto a recem casada mostra seu lado bizarro, mas logo tudo começa a ficar irritante, além, de forçar um protagonista mau-caráter, que acaba ficande sem credibilidade, chato e previsível.
-Um Crime de Mestre- Vale quase que exclusivamente para ser brindado com a atuação impecável da lenda Anthony Hopkins e da estrela em despontamento Ryan Gosling, ambos fazem um trabalho forte e diferenciado, mas infelizmente, em uma trama que até segura a atenção, mas que não sai muito do lugar e joga toda responsábilidade no final surpresa, se tornando um pouco forçada e desnecessária em vários momentos.
-O Albergue II-Um bom exemplo de como uma continuação caça-niqueis não precisa ser uma cópia sem cérebro. O diretor Eli Roth não se prende no primeiro e separa totalmente a trama dessa sequencia logo nos primeiros minutos de filme. Tirando essa introdução o que se tem na tela é um filme totalmente novo, com personagens diferentes e uma linha narrativa totalmente afastada, é como se ele disesse, com todas as letras, que ele pode contar quantas histórias ele quiser desse mesmo assunto, sem perder a originalidade e o gore. Mais uma vez vai cair como um luva para quem gosta desse tipo de filme, e vai ofender quem tem o estômago mais fraco.
-O Vigia- ação com cara de filme “B” mas que surpreende pela originalidade, mesmo não tendo uma trama nada criativa, em nenhum momento você se sente vendo algum outro filme, talvez, por desenvolver extremamente bem a vida do protagonista, sua deficiência e seus relacionamentos, cria um contexto acertado, que prepara muito bem a ação para a segunda metade do filme, onde as coisas acontecem deixando você nesse momento torcendo por ele. Ótimas atuações da dupla Joseph Gordon-Levitt (ex-“Third Rock From The Sun”) e Jaff Daniels, além uma direção diferenciada de Scott Franck, estreando na função depois de recentemente escrever o ótimo “A Interprete”.
-Bem-Vindo Ao Jogo- O único problema desse ótimo filme é sua história fechada para um tipo único de público, resumindo, se você não jogar poquer e não entender um mínimo dessa modalidade, vai aproveitar pouquíssimo. Não que o filme seja só sobre poquer, até esboça um drama familiar, mas na verdade, o que quer mostrar mesmo é a obsessão que o jogo (todos em geral) exerce nas vidas das pessoas. Para quem curte o jogo, vai ficar empolgado com o modo limpo com que eles são filmados, além, do quanto o fator real dele é levado em conta, nada de mãos magicas e viradas dramáticas.
Hollywood tem poucas certezas, uma delas é que: “Com grande campanhas de marketing, vem grandes bilheterias”, infelizmente, não importando a qualidade do mesmo. “Eu Sou a Lenda” é quase um exemplo vivo disso.
Quase, por que o novo filme dirigido por Francis Lawrence seria um ótimo exemplo de uma propaganda de um produto de qualidade, se não fosse a boa e velha necessidade de satisfazer essa grande bilheteria , com uma história que começa bem, mas aos poucos se transforma em um filme comum, que não surpreende nem o mais desavisado.
Durante muito mais que a metade do filme, o que se vê na tela é o solitário (a não ser por sua compenheira canina Sam, que por muitas vezes rouba a cena) Robert Neville (Will Smith), antes Tenente-Coronel, hoje, em 2012, ultimo ser vivo da Terra depois de uma epidemia que assolou a vida no planeta e transformou os poucos sobreviventes em criaturas noturnas com uma certa predileção à sangue.
E é em uma Nova Yorke vazia, tomada pela vida selvagem que Neville tem que sobreviver enquanto o sol se apresenta sobre sua cabeça, ao mesmo tempo que tenta desesperadoramente achar uma cura para a epidemia.
O tempo todo que Will Smith reina absoluto na tela, “Eu Sou a Lenda” é uma experência única, Lawrence, o fotografo Andrew lesnie (Trilogia Senhor dos Aneis) e a designer de produção Naomi Slohan (“Beleza Americana”) criam um clima de solidão assustador. Ver a enormidade de Manhattan tomada por um caos silencioso é de arrepiar, e no centro, quase mínimo perante esse mundo, o personagem de Smith tentando não enlouquecer com essa visão aterradora de solidão é sensacional.
Desde o visual rebuscado e cheio de estilo que Lawrence impõe nas cenas, coisa que ele já tinha mostrado ser capaz em “Constantine”, até o menor dos detalhes na casa de Neville, durante todo esse tempo, faz quem está do lado de cá da tela sinta toda angustia.
Mesmo com esse clima arrastado, o acerto se dá em criar uma ação que se apresenta sem muito esforço, como o suspense do sol indo embora, obrigando Neville a dar lugar aos seus “companheiros” sanguinários, ou até os encontros esporádicos entre as duas partes, fazendo com que em nenhum momento o filme fique enfadonho.
E exatamente durante essa hora de calmaria que você não se pergunta onde esse filme vai parar que você percebe que tudo eli estava sendo arrumado para o momento: “tudo bem você que gosta de cinema está se divertindo, agora vamos ganhar dinheiro com quem quer um pouquinho de ação”.
E nesse, momento entra em cena a estrela do roteirista Akiva Goldsman. Para quem não sabe, esse célebre senhor vem ganhando fama em Hollywood por seus roteiros com resultados milionários, mas não se engane, esse ganhador do Oscar com “Uma Mente Brilhante”, criou o bat-cartão de crédito, e acabou com a franquia em “Batman Forever” e “Batman e Robin”, fez uma geração inteira se contorcer na cadeira do cinema com a horripilante adaptação de “Perdidos no Espaço”, além de, recentemente nos brindar com a enrolação que se tornou “O Código Da Vinci”.
Goldsman, em parceria com Mark Protosevich (o gênio por tras do roteiro da refilmagem de “O Destino do Poseidon”), fazem um trabalho até coerente e inspirado, tanto na hora de posicionar o espectador dentro do contexto, não se perdendo no porque de tudo aquilo, como transitam na ação e no suspense habilmente, mas a aparente obrigação de acelerar o filme em seu terceiro ato, joga no lixo todo esforço anterior, infelizmente, fazendo parte disso, a personagem totalmente desnecessária interpretada pela brasileira Alice Braga, que, sem sombra de dúvida não prejudica o filme com uma atuação correta, mas pontua a destruição narrativa do que estava bom.
O que poderia ser um filme de ficção apocalíptico, centrado no interior do personagem, e nos modos como tenta sobreviver sozinho em um mundo que ele praticamente não vê um futuro se transforma em um corre-corre sem função, jogando um pouco de luz demais nas criaturas feitas em um CGI pouco inspirado (e até preguiçoso, que não cabe mais em um cinema que recentemente colocou o King Kong em sua magnitude no topo da mesma Nova Yorke).
A verdade é que, quem vê o filme em seu começo não espera o final corretinho (sem entrar em qualquer mérito), que com certeza vai decepcionar boa parte das pessoas que estava compartilhando da solidão do mundo com Will Smith, mas mesmo assim não mancha totalmente essa ficção que ganha em originalidade.
*eu não li o livro, e não sei ele se distancia totalmente em sua trama, mas, tentei me focar somente como filme, portanto, me desculpem àqueles que pontuaram suas opiniões na obra como adaptação aos quais eu possa estar errado e pondo a culpa no roteirista, nesse caso mil desculpas ao sr. Akiva Goldsman.
Eu Sou A Lenda (I Am Legend) EUA, 2007, 101min
Direção: Francis Lawrence/ Roteiro: Akiva Goldsman e Mark Protosevich
Elenco: Will Smith e Alice Braga
Logo de cara, “Conduta de Risco” tem uma qualidade que poucas produções apresentam nos dias de hoje, e isso já vale uma ida ao cinema, o novo filme estrelado por George Clooney é corajoso, sem se preocupar em querer fazer bonito para o grande público, na verdade, quase dando as costas para quem procura mais um Blockbuster.
A começar por uma trama quase hermética, que parece demorar para tomar forma, mas que na verdade se apresenta nos primeiros segundos ,e se desenvolve sem medo de errar, passeando pela ação e pelo suspense com naturalidade.
No centro de tudo está Michael Clayton (George Clooney), um advogado de uma grande firma, que tem a função de “limpar” certos assuntos menos agradáveis, como o surto psicológico de um dos sócios, Arthur Edens (tom Wilkinson), da mesma, que às portas de um grande contrato resolve se tornar “Shiva” e levar toda justiça à tona.
Qualquer outra palavra, poderia estragar o melhor do filme, que é se perder dentro de uma trama muito bem pensada e tratada, enxuta e surpreendente, escrita pelo experiente Tony Gilroy, com um currículo que apresenta acertos como “Advogado do Diabo” e os três “Bournes”, e que agora, também debuta na cadeira de diretor, e em uma ótima estréia.
Gilroy parece saber muito bem o tom que o filme tem que ter, sempre com uma câmera apertada contra um protagonista que a cada momento se vê mais e mais longe de entender o mundo no qual transita, quase que apagando o que está a sua volta, mas dando um mundo aberto, repleto de espaço para o ensandecido Arthur Edenes, mas que na verdade é o único que consegue enxergar o que o circunda.
O diretor estreante, ainda parece ter feito a lição de casa, e aposta no estilo Sidney Pollack (não é a toa que Pollack produz e estrela o filme) de contar histórias, com personagens fortes que transitam pela tela, em situações que os levam a colocar seus juízos morais à prova, sempre com uma trama que parece óbvia, mas que é orquestra para prender o público na cadeira, até os últimos minutos de exibição.
Mas se essa trama não segurar o público, sempre se tem o ótimo George Clooney em mais um de seus papeis que mostram por que esse ator que, já foi pensado pela industria de Hollywood como mais um herói de filme de ação, hoje é com certeza uma figura respeita por suas escolhas acertadas, quase um sinônimo de qualidade para a produção quando seu nome aparece nos cartazes.
E é do mesmo jeito centrado que Clooney dessa vez ganha a sensacional companhia de Tom Wilkinson (outro sinonimo de bons filmes), totalmente insandecido e contagiante, com certeza com uma das melhores atuações do ano.
“Conduta de Risco” vai surpreender muita gente que vai entrar no cinema esperando mais uma trama de advogados à lá John Grishan, mas dar de cara com um suspense forte e irresistível.
Conduta de Risco (Michal Clayton) EUA, 2007, 119min
Direção/Roteiro: Tony Gilroy
Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Sidney Pollack, Tilda Swinton
Brian de Palma não foi o primeiro a fazer o público torcer pelo criminoso inescrupuloso em “Scarface” (no mínimo foi precedido pelo original de Howard Hughs), mas, com certeza foi quem fez melhor, sem querer comparar nem um fotograma, Mauro Lima e seu “Meu Nome Não é Johnny” tinham a mesma missão, mas acabam tentando pegar o caminho mais rápido não chegando nem perto de seu destino.
O Johnny do título, na verdade, era João Guilherme Estrella, rapaz de classe média do Rio de Janeiro que, durante o fim dos anos 80 e começo dos 90, se apresentou como um dos maiores traficantes de cocaína da cidade, sempre atuando junto da “sociedade” carioca.
A facilidade de contar a história desse traficante bon vivant, galanteador, charmoso e que tinha uma resposta afiada e cínica para cada situação, talvez tenha sido a principal arma contra o próprio filme, desvirtuando um drama real em quase uma comédia irritante, e essa nessecidade de fazer graça atrapalha seriamente no andamento narrativo do filme.
Não são poucas as vezes que após uma risada você se pega pensando no porque da existência daquela sequencia dentro da história, elas vão se acumulando, muitas vezes sem uma aparente ligação. O hilário tour do traficante com os dois investigadores é sensacional, mas não tem um porque de se mostrar tão longo. É óbvio que não é uma sequencia que poderia ser jogada fora, mas caberia ao roteiro (escrito por Lima) encaixar isso tudo na trama, o mesmo acontecendo quando o personagem se encontra encarcerado, onde nenhuma situação acrescenta nada a história.
Se João Estrella não é Tony Montana, muito menos Mauro Lima é Brian de Palma, mas talvez isso não o impedisse de tentar criar um personagem mais trágico, menos parecendo dar risada do mundo que o cerca, parecendo não ter noção do que estava fazendo, assim, quase esquecendo de dar uma ênfase maior em seu vício, deixando um pouco mais impressão de alguém dominado pelo entorpecente e não o contrário.
Talvez a proximidade do personagem com a câmera tente até passar essa impressão de que João vivia em um mundo só dele, onde o resto a sua volta na maioria das vezes se apresenta desfocado, mas a ausência do outro lado da moeda, um ou outro plano mais aberto, centraliza um pouco demais a ação em um mundo pervertido e insandecido, não deixando espaço para a realidade crua e difícil.
Mas o grande ás na manga de Mauro Lima se apresenta na pele de um do mais celebrados astros do cinema atual, Selton Mello, que cria uma João Estrella complexo, divertido e ao mesmo tempo parecendo não entender por que as pessoas dão risada das coisas que ele fala.
Mello acaba sendo a única razão garantida para se ir conferir “Meu Nome Não é Johnny”, de resto, é um filme que pode parecer muito parado e engraçadinho para quem espera um “Scarface”, se é que alguém entra na sala esperando por isso.
Meu Nome Não É Johnny, BRA, 2007, 128min
Direção e Roteiro: Mauro Lima
Elenco: Selton Mello, Cléo Pires, Julia Lemmertz, Cassia Kiss, André di Biasi, Eva Todor
Ano novo, e lá vamos nós começar tudo de novo... depois desse hiato de quase um mês finalmente voltando, e agora para valer... Para começar o ano, vai aí um top28 com alguns filmes indispensáveis que eu vi esse ano, e que serão ótimas pedidas nas locadoras. Só por explicação, os filmes estão na ordem que eu vi, sem melhor nem pior... então, um bom ano para todos.
1) O Labirinto de Fauno- Fantasia pra gente grande, daquelas que marcam pelo lirismo e pela sensibilidade, feito para ser lembrado por gerações.
2) Filhos da esperança- Um drama futuristico, apocalíptico, cerebral e que assusta pela proximidade com a realidade. Direção, fotografia, montagem, roteiro e atuações impacáveis, talvez o filme mais completo do ano.
3)Mais estranho que a ficção- Um filme para se divertir em se encontrar perdido dentro de uma trama bacana e amalucada, mas cheia de significado.
4)Babel- Ainda no pacote “Se-não-gostou-é-por-que-não-entendeu” (junto com os três acima), reflexão pura para se pensar na fragilidade de um mundo onde todo está tão ligado e, ao mesmo tempo, tão separado.
5)Borat- Insanidade total, mais um vez um filme mostrando o quanto é fácil tirar sarro da cultura pré-moldada e pesteurizada do Estados Unidos. Para quem não soar como mal gosto, vai se deliciar.
6)A Rainha- Eficiente, com uma soberba atuação de Ellen Mirren e tecnicamente competente, imperdível.
7)Transamerica- Uma aula de como se fazer um drama convincente sobre um assunto forte, mas que aqui só ajuda na construção de uma história sensível.
8)Cartas de Iwo Jima- Clint Eastwood treinou com “Flag of our Falther” para fazer essa obra-prima.
9)300- Filme pra macho do ano, visual impecável, efeitos especiais de cair o queicho, violencia descontrolada, pilhas de cadáveres e frases de efeito, muitas frases de efeito.
10)Sunshine- Danny Boyle brincando de Stanley Kubrick, só que ao contrário, fazendo o que parecia um exercício de cinema mascarado de ficção se transformar em uma ficção pura, que pode não agradar a muitos, recicla um par de idéias, e mesmo assim tem um resultado satisfatório.
11)O cheiro do Ralo- Um filmão esquisito, com personagens esquisitos, com uma história esquisita, tudo dentro de uma narrattiva singular e um roteiro sensacional.
12)Notas sobre um escandalo- um filme pesado sobre um assunto maduro, ótimas atuações em uma história forte.
13)Sob Suspeita- Sidney Lumet voltando a ativa em um drama de julgamento, divertido e fazendo Vin Diesel ter sua melhor atuação.
14)Ventos da Liberdade- Uma ótima saga, daquelas que não se preocupa em cortar caminhos para mostrar a vida de dois irmão que se separam diante da independencia da irlanda. Para quem está cansado da mesmice Hollywoodiana
15)Alpha Dog- Mesmo não sendo nada perfeito, indicado para quem está no pique de um drama mais construído e agitado.
16)O Hospedeiro- O filme de monstro que Hollywood vem tentando fazer a décadas, e ainda não conseguiu. Não se engane pela cara de filme B, é uma produção de primeira que vale muito a pena
17)Pecados intimos- Um filme que consegue desenvolver uma história sobre um relacionamento tão errado, com pessoas tão sofridas que é difícil não entender. Um roteiro soberbo que joga maravilhosamente bem tanto com a história principal quanto com seu pano de fundo, sem se perder em nenhum momento.
18)Feliz Natal- Poucas vezes eu vi um filme sobre guerra que se prestasse a sair do lugar comum com coragem, sensível e emocionante, para quem quer mais que tiros.
19)O Homem Duplo- Até que enfim uma adaptação de Phillip K. Dick que se dê ao respeito (Blade Runner não conta), totalmente ácido e insano, a maioria vai se irritar um pouco, mas quem entrar no clima vai se render a história.
20)Harry Potter e a ordem da Fênix- Primeiro filme do bruxinho que eu realmente gostei, que conseguiu equilibrar totalmente o lado infantil com o inexoravel crescimento narrativo da história, que, pelo menos no cinema (não li os livros), parece tender a se transformar em uma filme muito menos infantil que seus primeiros.
21)Saneamento Básico, O Filme- Talvez o melhor humor seja aquele onde a pessoa consegue rir de si mesmo, e é isso que temos aqui, com certeza uma da únicas comédias que eu dei risada no ano inteiro.
22)Possuídos- Introspectivo, perturbador, visualmente impactante e totalmente insandecido, talvez o melhor terror do ano.
23)Zodiaco- David Fincher voltando aos serial Killers em um trabalho impecável, conseguindo criar um filme anti-climáxico que se preocupa em criar um clime sobre o suspense.
24)Tropa de Elite- Pede pra saí!! Não é à toa que todo mundo viu e todo mundo falou sobre o filme, é um exemplo perfeito de uma bem sucedida produção de ação tupiniquim, tecnicamente nivelado com qualquer Hollywoodiano. Talvez mais um passo contra o preconceito do público pelo produto brasileiro.
25)Superbad- Uma comédia que te faz sentir saudade de dar risada diante do cinema sem precisar ver escatologias escorrendo pela tela. Um roteiro interessante com um timming perfeito.
26)Bobby- Um mosaico perfeito ao melhor estilo Altman, extremamente bem pensado sem se perder em nenhum momento.
27)Leões e Cordeiros- Um filme para se pensar, que procura discutir um assunto importante e criar opinião.
28)Planeta Terror- diversão garantida, se você conseguir entrar no clima do filme.
E é isso, oficialmente 2008 começa aqui, e espero opiniões sobre essa lista. Abraços a todos...
Devido a um periodo de recessão critica (estou tendo que resolver um assunto importante), fiquei um tempo afastado, mas vou tentar fazer umas criticas rapidinhas de alguns filmes que vi nesse interim, logo logo volto com as criticas (e já preparando uma nova surpresa). Abraços a todos (se é que alguém lê isso aqui)
Donos da Noite
O diretor James Gray faz um filme que não se preocupa em marcar a história do cinema, mais sim muito mais em contar uma história interessante. Mesmo sendo mais uma cópia da velha história dos irmão que estão em lados opostos (nesse caso, um é gerente de uma boate, digamos “mal” frequentada, mas que esconde ser de uma linhagem de policiais, o outro segue a risca a profissão da família) mas que se juntam para resolver um problema maior. O roteiro, que também é de Gray, se preocupa em desenvolver um ambiente e os personagens nele, dando muito mais força para a história em sí. “Donos da Noite” é um filme ágil, em que sempre está acontecendo alguma coisa de importante para a trama, com uma ótima atuação de Joaquim Phoenix no papel principal, mas que lamentavelmente não ganha mais tempo na tela com o irmão interpretado pelo ótimo Mark Whalberg e o pai Robert Duvall, ambos deixados um pouco de lado de mais. Mesmo com o fechamente correndo para o óbvio, Gray faz ótimos trabalhos de composição e cria cenas de ação caustrofóbicas e emocionantes, acertando totalmente nessa mistura de ação com drama.
Donos da Noite (We Own the Night), EUA, 2007, 117min. Direção/Roteiro: James Gray. Elenco: Joaquim Phoenix, Mark Whalberg, Robert Duvall e Eva Mendes
Mandando Bala
Entrar no cinema para ver “Mandando Bala” com esperança de ver qualquer coisa a não ser um filme de ação initerrúpta é ter a possibilidade de não se divertir com um dos filmes mais legais do ano. O diretor, e roteirista, Michael Davis acerta na mosca ao criar um filme que beira o despropósito, mas com estilo. Desde o começo até seu fim, o que se tem é um grande tiroteio, quase não deixando espaço para absolutamente nada, por pouco, nem história tem, e como mesmo assim o filme é bom? Simples, durante a centena de guarda-costas mortos (detalhe, ao melhor estilo video-game , todo vestidos igual em cada sequencia) o personagem de Clive Owen não se envergonha de fazer as maiores peripécias possíveis, começando em um tiroteio em um galpão, passando por uma fabrica de armas (espaço propício para um momento “esqueceram de mim”) e acabando com balas em pleno ar, depois de saltar de um avião. Se isso tudo não bastasse, o misterioso personagem, que entra na briga pura e simplesmente por ser uma especie de “duro de matar” bom samaritano, que, ao ver uma gravida sendo perseguida por um bandido, resolve ajudá-la, no meio dos tiroteios ainda faz um parto (com direito a tiro no cordão umbilical) e logo depois uma torrida cena de amor enquanto extermina alguns invasores inoportunos, e é logico sempre que possível usando um cenoura como arma e pontuando tudo isso com frases de efeito de botar o exterminador do futuro no chinelo. Para quem gosta de quadrinhos não tem como não se identificar com a ação desenfreada e os personagens cartunescos. Fora que, ver um cena de ação insandecida com “Ace of Spades” do Motorhead saindo pelos auto-falantes é uma uma sesação indescritível.
Mandando Bala (Shoot´em Up) EUA, 2007, 94min. Direção /Roteiro: Michael Davis. Elenco: Clive Owen, Paul Giamatti, Monica Belluci
Planeta Terror
Por ter sido desmembrado em dois, “Grindhouse”, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez por aqui vai passar em dois filmes, lançados em datas destintas. O primeiro, de Rodriguez, “Planeta Terror” foi lançado agora, e o segmento de Tarantino só no longinquo mês de fevereiro. Por enquanto, só alguns aspectos gerais: “Planeta Terror” é um daqueles filmes que só consegue ser aproveitado se o espectador conseguir entrar no clima, do contrário vai dar de cara com um filme mal feito dos anos 70, repleto de situações absurdas, personagens desnecessários e que repetem clichês do gênero, um fio de trama quase inexistente, uma imagem suja e sangue, litros e mais litros de sangue. Agora, para quem entender a piada, vai se refastelar nesse arremedo de decadas atrás e recordar de todos filmes horríveis que já viu na vida. Para mim, fazer um filme ruim sem querer é fácil (não precisa nem ir muito longe, os cinemas estão cheios), o difícil é fazer um filme ruim de propósito, fazer disso tudo uma piada, e não se levar a sério, Robert Rodriguez faz isso e acerta em cheio. Com certeza um filme que, se visto com seu “irmão” em uma sessão de quatro horas de cinema, com trailers falsos e ainda tudo possível para te colocar em um clima, tornaria aquilo tudo uma experiência. Como não é possível, seremos obrigados a nos contentar com meio prazer. Por pura teimosia, só analisarei o filme inteiro depois de vê-lo inteiro, portanto, quem sabe em fevereiro eu escreve sobre ele.
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